Um dos maiores compositores da Portela, começou a freqüentar rodas de samba em Oswaldo Cruz aos seis anos, pois o pai era sambista e flautista. Mais tarde aprendeu a tocar violão e cavaquinho, sendo integrante da escola de samba Vai Como Pode, que deu origem à Portela. Compôs o primeiro samba-enredo para a nova escola, em 1953, obtendo nota máxima do júri. Em 1961 entrou para a polícia, mas um tiro o obrigou a se afastar e o confinou a uma cadeira de rodas, fato que mudou significativamente sua vida e obra. Seus sambas passam a ser mais introspectivos, como "Peso dos Anos", "Eterna Paz" e "De Qualquer Maneira" ("sentado em trono de rei/ ou aqui nessa cadeira..."). Entre os intérpretes de seus sambas estão Paulinho da Viola, também parceiro, Clementina de Jesus e Clara Nunes. Entre seus sambas mais famosos estão "Preciso Me Encontrar" (gravado por Cartola, e mais tarde por Marisa Monte), "Filosofia do Samba" e "Minhas Madrugadas" (com Paulinho da Viola).No início dos anos 60, dirigiu o conjunto Mensageiros do Samba. Em 61, entrou para a polícia. Tinha fama de truculento e suas atitudes começaram a causar ressentimentos entre seus antigos companheiros. Provavelmente, não imaginava que começava a se abrir caminho para a tragédia que mudaria sua vida. Diz-se que, ao esbofetear uma prostituta, ela rogou-lhe uma praga; na noite seguinte, ao sair atirando do carro num acidente de trânsito, levou um tiro na espinha que paralisou para sempre suas pernas.
Sua vida e sua obra se transformaram completamente. Em seus sambas, podemos assistir seu doloroso e sereno diálogo com a deficiência e com a morte pressentida: Pintura sem Arte, Peso dos Anos,Anjo Moreno e Eterna Paz são só alguns exemplos. Recolheu-se em sua casa; não recebia praticamente ninguém. Foi um custo para os amigos como Martinho da Vila e Bibi Ferreira trazê-lo de volta. De qualquer maneira, meu amor, eu canto, diria ele depois num dos versos que marcaram seu reencontro com a vida.
O couro voltou a comer nos pagodes do fundo de quintal de Candeia que comandava tudo de seu trono de rei, a cadeira que nunca mais abandonaria.
No curto reinado que lhe restava, dono de uma personalidade rica e forte, Candeia foi líder carismático, afinado com as amarguras e aspirações de seu povo. Fiel à sua vocação de sambista, cantou sua luta em músicas como Dia de Graça e Minha Gente do Morro. Coerente com seus ideais, em dezembro de 75 fundou a Escola de Samba Quilombo, que deveria carregar a bandeira do samba autêntico. O documento que delineava os objetivos de sua nova escola dizia: Escola de Samba é povo na sua manifestação mais autêntica! Quando o samba se submete a influências externas, a escola de samba deixa de representar a cultura de nosso povo.
No mesmo ano de 75, Candeia compunha seu impressionante Testamento de Partideiro, onde dizia: Quem rezar por mim que o faça sambando.
Em 78, ano de sua morte, gravou Axé um dos mais importantes discos da história do Samba. Ainda viu publicado seu livro escrito juntamente com Isnard: Escola de Samba, Árvore que Perdeu a Raiz.
Com a palavra final, Candeia (do samba Anjo Moreno):
| Comentários |
|