Na primeira edição deste disco, gravado em menos de uma semana em um estúdio de quatro canais, deixei de citar na contracapa, por descuido, a participação de três importantes músicos: o trombonista, arranjador e maestro Nelsinho (já falecido), nas faixas 8 e 12; o contrabaixista Sérgio Barroso, nas faixas 3, 8, 12 e 13; e Olímpio da Cuíca (também já falecido), que se juntou ao conjunto da Velha Guarda algum tempo depois do lançamento do LP, no segundo semestre de 1970. Os compositores Chico Santana e Alberto Lonato, além de intérpretes de suas músicas e integrantes do coro, também reforçaram o ritmo tocando pandeiro e reco-reco em um ou outro samba. Casquinha e Eliseu (Eliseu Felix, um excelente e conhecido ritmista) alternaram instrumentos durante as gravações e como não havia tempo nem assistentes para registrar essas mudanças, não se pode afirmar com segurança quem tocou o quê em todas as faixas, exceto no caso da cuíca, tocada apenas pelo Olímpio. Naquela época, o grupo ainda não dispunha de músicos próprios e foi necessária a formação de uma base com alguns profissionais, sem a qual o trabalho não seria possível. Após o lançamento do disco, a Velha Guarda tratou de criar essa base convidando outros nomes, podendo então realizar, com grande sucesso, sua primeira apresentação, no auditório do antigo prédio da UNE, na praia do Flamengo. Tive a grata satisfação de acompanhar durante um longo tempo esses pioneiros, baluartes da minha querida Portela, em ocasiões como a do memorável show realizado no Teatro da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, durante as comemorações dos 50 anos da Semana de Arte Moderna de 1922. Com um precioso acervo de sambas, um ritmo inconfundível, inúmeros discos, livros, especiais de televisão, um belo documentário, vários shows fora do Brasil e perto de completar 40 anos, a Velha Guarda da Portela se mantém atuante, reunindo velhos e novos sambistas para nos encantar com suas estórias, ou mesmo “para a mocidade brincar”, como queria Chico Santana. Apesar das dificuldades técnicas, do reduzido número de pessoas na produção (no estúdio apenas eu e o técnico de som) e do pouco tempo disponível, creio que este registro tornou-se uma referência importante para aqueles que quiserem conhecer um pouco da cultura do samba, em especial a da Portela. Monarco, nosso grande mestre, no final de um dos seus mais belos sambas afirmou: “Se for falar da PORTELA, hoje eu não vou terminar”; e eu, lhe pedindo licença, acrescento: “de sua VELHA GUARDA também”.
Rio, 31 de março de 2009.
| 01 | Quantas lágrimas Autor: Manacéia Intérprete: Manacéia Editora: Fermata |
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| 02 | Se tu fores na Portela Autor: Ventura Intérprete: Ventura Editora: Fermata |
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| 03 | Desengano Autor: Aniceto Intérprete: Aniceto Editora: Fermata |
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| 04 | Sofrimento de quem ama Autor: Alberto Lonato Intérprete: Alberto Lonato Editora: Fermata |
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| 05 | Vaidade de um sambista Autor: Francisco Santana Intérprete: Francisco Santana Editora: Fermata |
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| 06 | Chega de padecer Autor: Mijinha Intérprete: Armando Santos Editora: Fermata |
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| 07 | Levanta cedo Autor: Rufinho Intérprete: João da Gente Editora: Fermata |
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| 08 | Cocorocó Autor: Paulo da Portela Intérprete: João da Gente Editora: Fermata |
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| 09 | Tristeza (A tristeza me persegue) Autor: Heitor dos Prazeres Intérprete: João da Gente Editora: DR |
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| 10 | Vida de Fidalga Autor: Alvaiade / Francisco Santana Intérprete: João da Gente Editora: Ed Leblon Musical |
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| 11 | Ando penando Autor: Alcides Lopes Intérprete: Alcides Lopes Editora: Direto |
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| 12 | A maldade não tem fim Autor: Armando Santos Intérprete: Armando Santos Editora: Fermata |
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| 13 | Alegria tu terás Autor: Antonio Caetano Intérprete: João da Gente / Ventura Editora: Fermata |
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| 14 | Passado de glória Autor: Monarco Intérprete: João da Gente Editora: Fermata |
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