Samba com Cachaça

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Apresentação

CASUARINA – CERTIDÃO

Grupo carioca apresenta repertório autoral em seu segundo CD, CERTIDÃO, mais uma vez pela gravadora Biscoito Fino.

CERTIDÃO é um disco de samba. Samba com razão de ser, íntimo e que não demanda certidões. Mas CERTIDÃO é, acima de tudo, um trabalho autoral: das 14 faixas do novo CD do CASUARINA, dez foram compostas por seus integrantes.

Eles são cinco e estão na faixa dos vinte e poucos anos. Daniel Montes (violão de 7 cordas), Gabriel Azevedo (voz e percussão), João Cavalcanti (voz e percussão), João Fernando (bandolim e vocais) e Rafael Freire (cavaquinho) formam o CASUARINA, criado em 2001 e que, em pouco tempo, já tocava nas principais casas da boêmia Lapa carioca. Em 2006 veio o début, que leva o nome do grupo e é uma seleção de sambas, em sua maioria pouco conhecidos, que já vinham sendo tocados nos shows.

CERTIDÃO, a faixa que dá nome ao álbum, não é um samba de cartório, é de rua, como explica João Cavalcanti, autor da letra: “CERTIDÃO é um grito. De quem vem sendo posto em cheque por fazer samba. Logo o samba, sempre tão popular e acessível, agora tinha uma cartilha determinando quem o podia ouvir e fazer. CERTIDÃO é a resposta dos músicos-não-sambistas-que-fazem-samba-ainda-assim. Quando João Fernando me mostrou a melodia, vi na hora que ela se prestava, como uma luva, a esse propósito de gritar que não pedimos endosso, não pedimos para ser sambistas, apenas ouvimos sambas, fazemos sambas e vivemos do samba. Um pouco por vocação, um pouco por contingência, muito porque ninguém faz samba por preferir.”

O disco, entretanto, não é apenas um manifesto. Sobra espaço para falar de relacionamentos – os malsucedidos, cabe ressaltar. Da verdade sem rodeios de VASO RUIM, de Diego Zangado e Gabriel Azevedo (“Sou da rua, sou de lua / Já bati, já cansei de apanhar / Junte todos os seus cacos / E arranje outro lugar”), à sutil ironia de João Cavalcanti em INCONSTANTE (“Mas admiração não é o bastante / E um retrato na estante não sustenta um lar”). Da intolerância rancorosa de PEÇONHA (“Guarde para si sua peçonha / Que as nossas fronhas já não se misturam em vão”), de João Cavalcanti, ao lamento arrependido de ONDA DE POETA, composta à moda antiga: os dois vocalistas assinam letra e música, cada um de uma parte. É a única em que o protagonista sofre (“Meu reino não vale um beijo dela / E eu estou disposto a dar bem mais / Tudo é muito pouco quando comparado / À falta que ela me faz”).

Se “Para Ver As Meninas”, de Paulinho da Viola, serviu de inspiração para Gabriel Azevedo compor DILEMAS DO UNIVERSO (“Se o verso do samba é meu desejo / Que cruza o céu e a terra sem segredos / Paro pra pensar, que vontade dá / De lembrar dos dilemas do universo”), “Poder da Criação”, de João Nogueira e Paulo César Pinheiro, é para João Cavalcanti a razão de ser de É, JOÃO (“Pra que calar a voz do peito / Não é defeito ser urgente”). A faixa promove o inusitado encontro de um quarteto de cordas com a instrumentação do samba, emprestando acentos de tango e música erudita à canção, que tem arranjo de Daniel Montes.

A RODA MORREU (João Fernando / João Cavalcanti) é a história trivial do sujeito que afoga suas mágoas na boemia, no samba, na bebida. Ao mesmo tempo, é uma homenagem a essa mesma boemia que é capaz de transformar qualquer desilusão em melodia: “Encontro refúgio no colo do copo / Troco a tristeza por celebração / Não saio da festa até perder o foco / Tropeço nas pernas dessa solidão.”

Mais adiante, um poema que Sérgio Fonseca escreveu para suas duas filhas transformou-se em canção nas mãos de Gabriel Azevedo. Assim nasceu ARCO-ÍRIS, que no encarte Gabriel dedica também a Luisa, sua enteada: “Além do arco-íris até mesmo o sonho / Não fica tristonho de ser sonho só”. “Quando escreveu o poema, Sérgio Fonseca não estava pensando em musicá-lo. Eu fui e musiquei, é uma parceria à revelia. Ele gostou do resultado e acabou autorizando a gravação”, conta Gabriel.

Único tema instrumental do CD, EMPOEIRADO entra como faixa bônus em uma gravação ao vivo. O choro-baião com passagens pelo maracatu, ijexá e até mesmo pelo funk levou cinco anos para ser finalizado por João Fernando.

Apesar de não terem sido compostas pelo CASUARINA, as quatro faixas restantes são tidas pelo grupo como suas – se não na autoria, certamente pela temática e sintonia dos discursos. É o caso de TEIMA QUEM QUER, uma canção romântica e reflexiva de Paulo Vanzolini; TARJA PRETA, pura filosofia de botequim em forma de partido alto, inédito, de Délcio Carvalho e Sérgio Fonseca; VELHO BANDIDO, vigoroso sarcasmo auto-biográfico do “maldito” Sérgio Sampaio e ME DÁ UM DÓ, outra inédita, composta pelo melancólico Sidney Miller – que, assim como Noel Rosa e outros tantos, nos deixou no auge de sua efervescência criativa.

Assim é CERTIDÃO: um atestado de que o resgate e a renovação podem andar de mãos dadas. Para isso, o CASUARINA reitera o respeito pelas tradições e conquistas do samba sem temer optar pela novidade. Miriam Roia Assessora de Imprensa – Casuarina + 5... (ramal 6) Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. Sidimir Sanches Assessoria de Imprensa – Biscoito Fino + 5... Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Faixas

01 Império Tocou Reunir (Silas de Oliveira / Dona Ivone Lara) / Não me Perguntes
Fonte: BiscoitoFino
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